Opções

A opções são derivativos, ou seja, toda opção está atrelada a um ativo-objeto.

Ela dá direito a quem a compra, chamado de titular da opção, de comprar ou vender o ativo-objeto a um preço pré-determinado no dia do vencimento da opção.

Qual a vantagem de deixar o preço fixado?

Imagine a seguinte situação: você comprou 1.000 ações da Petrobrás por R$ 25 e tem a expectativa de que o preço vá cair.

Para se proteger de uma eventual queda, você pode comprar opções do tipo Put com preço de 25 reais.

Se no dia do vencimento você estiver correto e a ação da Petrobrás estiver custando R$ 20, você tem o direito de vendê-la a R$ 25.

Assim, você pode vender a 25 reais e recomprar a preço de mercado, ficando com o lucro de R$ 5 por ação no bolso.

Ou seja, você se protegeu contra a queda, fez um hedge.

Essa é uma das funções da opção.

Entendendo as Opções

Vamos entender em maiores detalhes as opções.

Tipos

São dois os tipos de opções:

1. Call – opções de compra.

2. Put – opções de venda.

Modelos

Existem dois modelos de opções:

1. Européia – direito de exercício somente no vencimento.

2. Americana – direito de exercício a qualquer momento até o vencimento.

Titular

O trader/investidor que compra a opção é o titular da mesma.

Lançador

O trader/investidor que vende a opção é o lançador da mesma.

Ativo-objeto

ativo-objeto é aquele pelo qual o titular da opção tem direito sobre.

No exemplo dado acima, o ativo-objeto é a Petrobrás (PETR4).

Prêmio

prêmio é o valor que o titular pagou pela opção.

Assim como as ações, seu preço é definido em pregão.

Strike

strike, também chamado de preço de exercício, é o preço final pago no ativo-objeto pelo titular da opção.

No exemplo da Petrobrás, o strike é R$ 25.

Identificando a Opção

As opções tem cinco letras seguidas de um número.

As quatro primeiras letras são as mesmas que a do seu ativo-objeto.

A quinta letra é referente ao tipo e vencimento da opção.

O número é referente ao strike, não sendo o valor do strike, somente referência.

Observe o exemplo abaixo:

Opção desmembrada.

Identificação da opção PETRE55, onde:

· Ativo-objeto: Petrobrás (PETR4).

· Tipo e vencimento: call com vencimento em Maio.

· Valor do strike: R$ 24,73.

Vencimentos

CallVencimentoPut
AJaneiroM
BFevereiroN
CMarçoO
DAbrilP
EMaioQ
FJunhoR
GJulhoS
HAgostoT
ISetembroU
JOutubroV
KNovembroW
LDezembroX

Pela letra do vencimento, não só identificamos o mês como identificamos se é call ou put: até a letra L é call, depois dela é put.

Direitos e Obrigações

Ao se negociar opções, são adquiridos direitos e obrigações, como segue na tabela:

PosiçãoCallPut
TitularDireito de comprar ao preço
de strike (sem a obrigação
do mesmo).
Direito de vender ao preço
de strike (sem a obrigação
do mesmo).
LançadorObrigação de vender ao preço
de strike.
Obrigação de comprar ao preço
de strike.

Parece confuso, não?

Por isso vou explicar em mais detalhes agora.

Classificações das Opções (ITM, ATM, OTM)

As opções ainda são classificadas em três grandes grupos:

1. Dentro do dinheiro (IThe Money).

2. No Dinheiro (AThe Money).

3. Fora do Dinheiro (Out The Money).

In The Money

Uma opção é dita ITM quando o valor de seu strike é inferior ao valor de mercado do ativo-objeto.

Assim, se a Petrobrás estiver sendo negociada a R$ 26, a opção PETRE55 é considerada ITM, pois, seu strike é de R$ 24,73 (inferior).

At The Money

Uma opção é tida como ATM quando o valor de seu strike é igual ou bem próximo ao valor de mercado do ativo-objeto.

Ou seja, se a Petrobrás estiver sendo negociada a R$ 24,90, a opção PETRE55 é considerada ATM, pois, seu strike é de R$ 24,73 (próximo ou igual).

Note que o valor de strike, embora ainda um pouco inferior, está bem próximo ao valor de mercado do ativo-objeto.

Out The Money

Uma opção é OTM quando o valor de seu strike é superior ao valor de mercado do ativo-objeto.

Estando a Petrobrás a ser negociada a R$ 24, a opção PETRE55 é considerada OTM, pois, seu strike é de R$ 24,73 (superior).

Opção de Compra (Call)

Quando o lançador de uma call a vende no mercado, o que de fato está acontecendo?

Simples: o lançador está dando ao titular o direito de comprar o determinado ativo-objeto pelo preço de strike da opção até o (ou somente no) vencimento.

Assim, quando chegar o dia do vencimento uma das duas coisas acontecerá:

1. O preço do ativo-objeto estará acima do valor de strike: o titular irá exercer seu direito de comprar o ativo-objeto por um valor menor que o de mercado.

2. O preço do ativo-objeto estará abaixo do valor de strike: o titular não irá exercer seu direito de comprar o ativo-objeto por um valor maior que o de mercado, não faria sentido, certo? Neste caso, dizemos que a opção virou pó.

Perceba que, em ambos casos, o lançador da opção fica à mercê do que acontece no mercado.

O lançador não tem direito algum sobre as opções, apenas a obrigação de vender ao preço de strike.

E se o lançador se arrepender da venda da call?

Neste caso, ele pode recomprar as opções, zerando sua posição.

Dependendo das condições do mercado, ele pode acabar recomprando mais barato ou mais caro.

Entretanto, vale o alerta: as variações percentuais das opções são muito maiores que as das ações.

Só para você ter uma ideia: quando a barragem de Brumadinho cedeu, a Vale teve um queda de aproximadamente 25% no valor de suas ações no pregão seguinte.

Houve opções de venda (puts) que valorizaram 16.000%!

Ou seja, se o lançador tivesse vendido cada opção por 1 real teria que recomprar por 160 reais, o que ocasionaria um grande prejuízo.

Opção de Venda (Put)

A lógica da put é a mesma: o lançador da opção vende ao titular o direito de vender o ativo-objeto pelo preço de strike no dia do (ou até o) vencimento.

No dia do vencimento, uma das duas coisas acontecerá:

1. O preço do ativo-objeto estará acima do valor de strike: o titular não irá exercer seu direito de vender o ativo-objeto por um valor menor que o de mercado e as opções virarão pó.

2. O preço do ativo-objeto estará abaixo do valor de strike: o titular irá exercer seu direito de vender o ativo-objeto por um valor maior que o de mercado.

Da mesma forma que a call pode ser recomprada, a put também pode.

Precificação de Opções

Existe um modelo para precificar as opções que é o “Modelo de Black & Scholes”.

Se quiser lê-lo em detalhes, recomendo a leitura no Wikipedia Americano sobre o modelo.

Para a precificação da opção (segundo este modelo), são levadas em consideração as seguinte variáveis:

1. Strike (preço de exercício) do ativo-objeto.

2. Tempo: data da análise até o vencimento.

3. Preço do ativo-objeto.

4. Taxa de juros livre de risco (TLR) anualizada.

5. Volatilidade do ativo-objeto.

São muito cálculos a serem feitos e muitas variáveis.

Uma variável muito importante do modelo é o tempo.

Se você já acompanha as opções já notou que quanto mais longe do vencimento, mais vale a opção.

No modelo de Black & Scholes o valor do tempo é a variável Theta.

Perto do vencimento das opções, o valor dela será próximo do valor de mercado do ativo-objeto subtraído do valor de strike.

No exemplo que dei acima, a PETRE55 tem valor de strike de R$ 24,73.

Se estivermos a dois dias do vencimento, o valor será bem diferente de que se estivéssemos a 20 dias do vencimento.

Mesmo mantendo todas outras variáveis constantes, a diferença será gritante.

Ou seja: tempo importa!

Estratégias com Opções

Existem algumas estratégias que podem ser feitas com as opções, vou citar somente duas bem populares.

Financiamento

Também conhecida como venda coberta, esta estratégia consiste em comprar o ativo-objeto e lançar as opções de compra.

Exemplo: você compra 1.000 ações da Petrobrás (PETR4) a R$ 25 e vende as opções com strike de mesmo valor a R$ 1,50.

No ato, você já terá R$ 1.500 na conta pela venda das opções, ou seja, o preço-médio de suas ações será de R$ 25 – R$ 1,50, totalizando R$ 23,50.

No dia do vencimento acontecerá uma das duas possibilidades:

1. Preço da PETR4 maior que R$ 25: você receberá R$ 25.000 reais pelas ações e terá na conta o valor total de R$ 26.500 (prêmio das opções + valor de venda das ações).

2. Preço da PETR4 menor que R$ 25: você não receberá nada e manterá as ações pelo preço médio de R$ 23,50 (valor de compra – prêmio das opções).

Embora seja um bom negócio, há o risco da ação continuar se desvalorizando ao ponto de não compensar mais fazer o financiamento.

Entretanto, costuma dar certo quando o strike da opção for menor que o do ativo-objeto no momento do negócio.

Trava de Baixa / Trava de Alta

Nesta estratégia, o trader monta um posição onde, não importa o que aconteça no mercado o seu lucro ou prejuízo fica travado em um valor (daí a “trava” no nome).

Para a trava de alta, usamos calls:

O primeiro passo é comprar as calls que tem o valor de strike perto do valor de mercado (at the money) do ativo-objeto no momento da montagem da posição.

Ao mesmo tempo o trader deve lançar opções de compra que tenham o valor de strike maior que o valor de mercado (out the money) do ativo-objeto.

No final desta montagem o trader vai ter gasto um valor X e este será o máximo de prejuízo que esta operação pode dar.

Exemplo de uma trava de alta feito com calls:

Trader compra 1.000 PETRE55 (strike R$ 24,73) a R$ 1,50, gastando R$ 1.500.

Trader vende 1.000 PETRE26 (strike R$ 25,98) a R$ 1,00, ganhando R$ 1.000.

No total, o trader investiu R$ 500.

Este valor será o máximo que poderá perder!

O máximo que poderá ganhar será a diferença entre o strikes, no caso, R$ 25,98 – 24,73, totalizando R$ 1,25 por ação, ou R$ 1.250.

Possibilidades no dia do vencimento:

1. O ativo-objeto (PETR4) está cotado a um maior valor que o strike da call mais alta (PETRE26): trader exerce seu direito de compra a R$ 24,73 ao mesmo tempo em que é obrigado a vender a mesma quantidade a R$ 25,98.

Assim, seu lucro final será o esperado de R$ 1.250. Mesmo que o valor da ação exploda e vá para R$ 30, o lucro do trader está travado.

2. O ativo-objeto (PETR4) está cotado a um menor valor que o strike da call mais barata (PETRE55): trader não exerce seu direito e as opções viram pó.

Prejuízo de R$ 500, que foi o custo da montagem desta operação.

Mesmo que o valor da ação derreta e vá para R$ 15, o prejuízo do trader está travado.

3. O ativo-objeto (PETR4) está entre os valores das calls: trader pode ter um lucro ou prejuízo menor que o esperado.No papel, poderia sair até no zero-a-zero, mas, dificilmente isso aconteceria.

Para facilitar o entendimento, observe o gráfico abaixo:

Esquema gráfico de trava de alta.

Assim fica mais fácil de entender que o prejuízo máximo do trader é o custo de montagem da operação.

Esta trava é de alta, pois, o trader está apostando na alta das ações.

A trava de baixa funciona da mesma maneira, entretanto, se usa as opções de venda (puts).

O gráfico dela ficaria assim:

Esquema gráfico de trava de baixa.

Neste caso, o trader está apostando numa baixadas ações.

Lições aprendidas

· O que é o Mercado de Opções.

· O que é uma opção.

· Os diferentes tipos de opções.

· Diferenças entre a call e put.

· Características das opções.

· Precificação das opções.

· Travas com opções.